Era uma noite abafada, daquelas em que o ar parece pesado, quando eu vi a primeira. Depois a segunda. Em dez minutos, a luminária da varanda estava cercada por uma nuvem de insetos de asas transparentes, voando em círculos meio desajeitados. Na manhã seguinte, o chão estava coberto de asinhas soltas, como se alguém tivesse esvaziado um saco de confete. Quem cresceu no Brasil conhece a cena: são as aleluias, ou siriris, dependendo da região. São a fase alada do cupim, a única que voa.
A maioria das pessoas varre as asas, resmunga e esquece. E eu entendo, porque a revoada dura pouco e parece inofensiva. Mas aquelas asinhas no chão são a única vez no ano em que o cupim sai de dentro da madeira, da terra ou da parede e se mostra para você. Elas são, na prática, um aviso. Neste guia, eu vou te ensinar a ler esse aviso e todos os outros que o cupim deixa pelo caminho, a diferenciar os dois tipos que mais atacam casas no Brasil e, principalmente, a entender como acabar com cupim de verdade, sem cair nas receitas que só dão a sensação de resolver.
Tem um detalhe sobre essa história que muda tudo, e que eu vou explicar mais à frente: o cupim que você vê quase nunca é o problema. O problema é o que você não vê. Guarde essa frase, porque ela vai voltar.

Aleluias, siriris e a única noite em que o cupim aparece
Para entender a revoada, vale olhar para dentro de uma colônia. Segundo um material de divulgação técnica sobre cupins subterrâneos publicado na Infoteca da Embrapa, a sociedade dos cupins se divide em castas. Os operários fazem todo o trabalho e alimentam os demais. Os soldados defendem o ninho. E os reprodutores, as famosas aleluias e siriris, são os únicos que nascem com asas. A função deles é uma só: sair voando, encontrar um par e fundar uma colônia nova.
É por isso que a revoada acontece de uma vez, quase como um evento combinado. A colônia madura solta centenas ou milhares de alados, que voam em direção à luz, perdem as asas pouco depois de pousar e saem andando aos pares, um atrás do outro, procurando uma fresta para se enfiar. De acordo com o mesmo material, depois do voo o casal entra no solo e constrói uma pequena câmara onde a rainha começa a pôr ovos. Ou seja, cada casal que sobrevive é uma colônia em potencial.
Agora junte as peças. Se uma nuvem de alados apareceu dentro de casa, e não só em volta da lâmpada da rua, existe uma boa chance de que eles tenham saído de uma colônia que já está ali perto, talvez no batente de uma porta, no forro ou no solo do jardim. Asas acumuladas no parapeito da janela, em cantos de piso ou dentro de armários são um sinal ainda mais forte. Em muitas regiões do país, essas revoadas costumam coincidir com noites quentes e úmidas, perto do começo da estação das chuvas, e é por isso que esta é a época do ano em que mais gente descobre que tem cupim em casa.
O que fazer na noite da revoada
Primeiro, apague as luzes que não precisa e feche as janelas: os alados são atraídos pela claridade. Em seguida, não perca tempo matando um por um. Eles vivem pouco fora da colônia, e a maioria morre sem conseguir formar ninho nenhum. O mais útil que você pode fazer é observar. Repare de onde eles saem. Se você vê alados brotando de uma rachadura no rodapé, de um furinho no batente ou de uma tomada, anote o local. Essa informação vale ouro para qualquer tratamento que vier depois.
Antes de declarar guerra: nem todo cupim é inimigo
Aqui vem um dado que costuma surpreender quem só conhece o cupim como praga. Um artigo de 2022 publicado na revista Biota Amazônia, assinado por Santos, Godoy e Costa, lembra que o Brasil já tem 349 espécies de cupins identificadas. E, segundo o mesmo texto, apenas cerca de 10% das espécies registradas podem causar danos econômicos. Em outras palavras, nove em cada dez espécies passam a vida inteira longe da sua casa, fazendo um trabalho que ninguém mais faz.
Que trabalho é esse? Os cupins estão entre os grandes recicladores da natureza. Os autores destacam o papel deles na ciclagem de nutrientes, na decomposição da matéria orgânica, na aeração do solo e na infiltração da água. Pense numa floresta sem cupins: galhos e troncos mortos se acumulariam por muito mais tempo, e os nutrientes presos neles demorariam muito mais para voltar à terra. Por isso, aquele montinho de terra endurecida no meio do pasto, o cupinzeiro, não é sinal de que o mundo está perdido. Na maioria das vezes, é só a natureza funcionando.

O ponto, então, não é odiar todo cupim, e sim reconhecer os poucos que gostam de morar com a gente. E no Brasil urbano há dois nomes que aparecem o tempo todo nos estudos. Conhecer a diferença entre eles é o primeiro passo para saber como acabar com cupim sem gastar dinheiro com o tratamento errado.
Os dois cupins que mais entram em casa no Brasil
Um estudo clássico feito em Piracicaba, publicado em 2000 na revista Ciência Florestal por Eleotério e Berti Filho, levantou os cupins presentes em imóveis de um bairro da cidade. As duas espécies mais encontradas atacando construções foram um cupim de madeira seca, o Cryptotermes brevis, e um cupim subterrâneo do gênero Coptotermes. Os autores observaram ainda que o risco de infestação e o número de focos por imóvel tendem a crescer com a idade da construção. É uma dupla que vale conhecer de perto, porque cada um exige uma abordagem completamente diferente.
O cupim subterrâneo: o que vem da terra
O cupim subterrâneo mais citado nas cidades brasileiras é o Coptotermes gestroi, uma espécie de origem asiática. Segundo um artigo publicado em 2011 nos Arquivos do Instituto Biológico, ele foi introduzido no Sudeste do Brasil em 1923 e é considerado praga em áreas urbanas, causando prejuízos em casas, prédios e árvores. Como o nome indica, a colônia vive no solo, e os operários sobem até a madeira por dentro de paredes, frestas e conduítes.
O grande sinal desse cupim são os túneis de terra. Como os operários desidratam rápido no ar seco, eles constroem verdadeiros canudos de barro, da espessura de um lápis, que sobem pelas paredes, pelos rodapés ou pelo tronco das árvores. Se você raspar um desses túneis e encontrar insetos claros lá dentro, não tenha dúvida. Outro sinal típico é a madeira que parece inteira por fora, mas soa oca quando você bate, porque ele come o miolo e preserva a casca. E é aqui que a frase do começo volta: os poucos operários que você vê são uma fração minúscula de uma colônia que pode estar a metros de distância, embaixo do piso.

O cupim de madeira seca: o que vem dentro dos móveis
O segundo personagem é o Cryptotermes brevis, o cupim de madeira seca. Ele não precisa de contato com o solo. A colônia inteira vive dentro da própria peça de madeira que está comendo, seja um batente, um forro ou uma cômoda. Um estudo publicado em 2000 na Scientia Agricola, sobre móveis históricos do Museu Luiz de Queiroz, em Piracicaba, resume bem o comportamento dele: as colônias são pouco numerosas, não fazem ninhos elaborados e o indício mais claro do ataque são os grânulos fecais de cor marrom que se acumulam embaixo da madeira atacada.
Esse pozinho é a assinatura do cupim de madeira seca. Ele parece areia grossa ou pó de café, se junta em montinhos no chão ou dentro de gavetas e reaparece pouco tempo depois de você limpar. Os pesquisadores também identificaram a praga pelas perfurações circulares características na madeira. Segundo o estudo, essa espécie é uma das pragas mais importantes da cidade de São Paulo e está espalhada por grandes áreas do Brasil, principalmente no litoral. E tem um detalhe que eu considero o mais importante de todos: como a colônia mora dentro da peça, ela viaja junto com ela. Uma cadeira antiga comprada num brechó pode trazer de brinde uma colônia inteira para dentro de casa.

Um quadro para não confundir os dois
| O que você observa | Cupim subterrâneo | Cupim de madeira seca |
|---|---|---|
| Sinal mais típico | Túneis de terra subindo por paredes, rodapés e troncos | Montinhos de grânulos marrons, parecidos com areia grossa |
| Onde mora a colônia | No solo, às vezes a metros da madeira atacada | Dentro da própria peça de madeira |
| Madeira atacada | Oca por dentro, casca preservada, às vezes com terra | Galerias limpas e furinhos redondos |
| Como chega à casa | Pelo chão, por frestas, juntas e conduítes | Em móveis, caixotes e peças de madeira já infestadas |
| Tratamento mais usado | Barreira química no solo ou iscas | Injeção de produto na peça e troca do que estiver perdido |
Cupim no jardim e nas árvores: quando se preocupar
O cupim não ataca só a casa. Como vimos, o artigo dos Arquivos do Instituto Biológico inclui as árvores entre os alvos do cupim subterrâneo. E, no jardim, ele costuma agir do mesmo jeito discreto: entra pela base do tronco ou por uma raiz ferida, sobe por dentro e vai consumindo o cerne, a parte central e mais antiga da madeira. Por fora, a árvore pode continuar verde e frondosa durante anos. Por dentro, porém, ela pode ir ficando oca.
Isso importa por uma razão muito prática: segurança. Uma árvore oca perto do muro, da garagem ou da calçada pode perder resistência sem dar sinais óbvios. Por isso, fique atento a túneis de terra subindo pelo tronco, a cavidades na base com terra fofa e úmida, a galhos que secam sem explicação e a um som oco quando você bate com o nó dos dedos. Se algum desses sinais aparecer numa árvore grande, vale chamar um profissional para avaliar antes de qualquer tratamento. Aliás, se você está escolhendo o que plantar perto de casa, o guia sobre árvores para calçada e o texto sobre raiz agressiva ajudam a evitar outros problemas que a gente só descobre tarde demais.
Há também os ninhos que ficam pendurados em galhos, aquelas bolas escuras e irregulares presas na árvore. O mesmo artigo da Biota Amazônia registra que o Nasutitermes corniger, um cupim que faz esse tipo de ninho, aparece como praga urbana em cidades do Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste desde a década de 1980. Nem todo ninho em árvore é um desastre, mas, se ele estiver encostado na casa ou com trilhas que levam até o telhado, merece atenção.
O que deixa o quintal mais convidativo para o cupim
Pense no cupim como um hóspede que procura três coisas: comida, umidade e esconderijo. No quintal, a comida é qualquer material com celulose, como restos de poda, tocos esquecidos, tábuas jogadas no canto, lenha encostada na parede e caixotes velhos. A umidade vem de vazamentos, calhas entupidas e canteiros que encharcam. E o esconderijo é tudo o que fica em contato direto com a terra. Ou seja, um monte de madeira úmida encostada no muro é praticamente um anúncio de aluga-se para cupim. Por isso, a primeira faxina contra o cupim não é com veneno: é com carrinho de mão.
Como acabar com cupim de verdade
Chegamos à pergunta que trouxe a maioria das pessoas até aqui. E a resposta honesta começa com uma frase que eu repeti lá no início: o cupim que você vê quase nunca é o problema. Quando você borrifa um produto na trilha de operários, mata dezenas de insetos, mas a rainha continua viva, protegida, botando ovos dentro da colônia. Em poucos dias, novos operários reconstroem os túneis. É como esvaziar uma piscina com uma colher enquanto a torneira continua aberta.
Por isso, o caminho para acabar com cupim depende de atingir a colônia, e não só os indivíduos. E aqui o tipo de cupim faz toda a diferença. No caso do subterrâneo, os especialistas trabalham com duas estratégias principais. Uma apresentação técnica do IPT, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, sobre um prédio tombado atacado por Coptotermes gestroi, contrapõe justamente as duas: a barreira química no solo, que cria uma zona tratada que o cupim não consegue atravessar, e a tecnologia de iscas, em que os operários carregam um produto de ação lenta para dentro da colônia e acabam atingindo o ninho inteiro.
Já no cupim de madeira seca, o tratamento é feito na própria peça. No estudo dos móveis do Museu Luiz de Queiroz, os pesquisadores substituíram as partes que não tinham mais recuperação, fizeram furos finos na madeira, injetaram um inseticida à base de permetrina e fecharam os furos com cera de abelha misturada a serragem. Depois, pincelaram o produto nas superfícies sem verniz. O detalhe mais honesto do artigo, e que eu gostaria que todo mundo lesse, é este: segundo os autores, o tratamento não garante a erradicação definitiva desses insetos, e por isso eles recomendam inspeções frequentes.
Por que as receitas caseiras costumam decepcionar
Na internet não faltam receitas para acabar com cupim usando vinagre, óleo, sal ou casca de laranja. O problema de quase todas elas é o mesmo da colher na piscina: atingem a superfície. No cupim subterrâneo, a colônia está no solo, longe do alcance de qualquer líquido que você passe na parede. No de madeira seca, ela está dentro da peça, protegida por centímetros de madeira. Então o resultado costuma ser uma trégua de poucos dias, seguida de grânulos novos no chão.
Isso não quer dizer que não haja nada para fazer por conta própria. Retirar a madeira infestada, cortar o contato da madeira com o solo, eliminar umidade e isolar móveis suspeitos são atitudes que ajudam muito. Em peças pequenas e soltas, como um porta-retratos ou um caixote, às vezes vale mais a pena descartar do que tratar. O que eu desaconselho é gastar meses com soluções caseiras enquanto o cupim continua trabalhando no forro ou no telhado, porque cada mês de espera aumenta o tamanho do conserto.
Quando chamar uma empresa e o que exigir dela
Se o ataque envolve a estrutura da casa, como telhado, forro, batentes ou piso, ou se você encontrou túneis de terra, o mais seguro é chamar uma empresa de controle de pragas. E aqui vai uma dica que pouca gente conhece. No Brasil, essas empresas são regulamentadas pela Anvisa, através da RDC nº 52, de 22 de outubro de 2009. Segundo essa norma, a empresa só pode funcionar depois de licenciada pelas autoridades sanitária e ambiental, precisa ter um responsável técnico habilitado e deve manter a licença sanitária afixada em local visível ao público.
Além disso, depois do serviço, a mesma resolução manda a empresa entregar ao cliente um comprovante de execução com uma série de informações. Entre elas estão a praga combatida, o prazo de garantia escrito por extenso, o grupo químico, o nome e a concentração dos produtos usados, as orientações sobre o serviço, o nome e o registro do responsável técnico e o telefone do Centro de Informação Toxicológica. Na prática, isso vira um roteiro de perguntas para o orçamento. Se a empresa não sabe dizer qual produto vai usar ou não fala em garantia, desconfie.
- Peça a licença sanitária: ela deve estar válida e no nome da empresa que vai fazer o serviço.
- Pergunte qual é o cupim: uma empresa séria inspeciona antes de orçar e diz se é subterrâneo ou de madeira seca.
- Compare o método: barreira química, iscas ou injeção em madeira têm custos e prazos diferentes.
- Exija a garantia por escrito: a norma prevê o prazo de garantia para cada praga no comprovante.
- Guarde o comprovante: ele traz o produto usado e o telefone do centro toxicológico, úteis se alguém da casa passar mal.
Prevenção: como deixar a casa sem graça para o cupim
Se acabar com cupim depois que ele se instalou dá trabalho, impedir que ele chegue é bem mais simples. E a lógica é a mesma das três coisas que ele procura: comida, umidade e esconderijo. Quanto menos dessas três você oferecer, menos interessante a sua casa fica. A seguir, as medidas que eu considero mais eficientes, da mais barata para a mais trabalhosa.
Corte o contato da madeira com a terra
O cupim subterrâneo precisa de uma ponte entre o solo e a madeira. Portanto, deck encostado no chão, cerca de madeira enterrada sem tratamento, floreira de madeira cheia de terra encostada na parede e caixas de madeira apoiadas diretamente no gramado são atalhos perfeitos para ele. Sempre que possível, apoie as peças em bases de concreto ou metal e deixe um vão entre a madeira e o solo. No jardim, prefira vasos de cerâmica, cimento ou plástico em vez de caixotes de madeira crua. E, se você usa casca de árvore como cobertura nos canteiros, mantenha uma faixa livre junto às paredes da casa.
Seque a casa
Umidade é um convite. Vazamentos em pias, infiltração no telhado, calhas entupidas e paredes que molham na chuva criam exatamente o ambiente úmido de que o cupim subterrâneo gosta. Então, aquele conserto que você vem adiando na calha pode ser também uma medida contra cupim. O mesmo vale para o jardim: canteiros que encharcam junto às paredes da casa merecem uma drenagem melhor. Se você tem dúvida sobre como montar um substrato que drene bem, o guia de substrato para plantas explica a lógica da drenagem em vasos e canteiros.
Desconfie de móveis antigos antes de levá-los para dentro
Eu adoro móveis antigos. Eles contam histórias, têm uma madeira que não se fabrica mais e dão personalidade a qualquer ambiente, como mostro no texto sobre o estilo vintage na decoração. Mas, como vimos, o cupim de madeira seca viaja dentro das peças. Por isso, antes de levar uma cômoda de brechó para o quarto, faça uma inspeção. Procure furinhos redondos, galerias, partes que afundam quando você aperta com a unha e, principalmente, aquele pó granulado. Uma boa estratégia é deixar a peça alguns dias numa área isolada, sobre um papel branco: se aparecerem grânulos, você descobriu o problema antes de ele se espalhar pela casa.
Prefira madeira tratada nas obras
Se você vai construir, reformar ou instalar um deck, pergunte ao fornecedor se a madeira passou por tratamento preservativo industrial, como o autoclavado. É um investimento que aparece no orçamento, mas que costuma sair mais barato do que trocar um telhado inteiro daqui a alguns anos. Além disso, na fase da obra, quando o solo ainda está exposto, é o momento mais fácil de fazer um tratamento preventivo no terreno, e vale conversar sobre isso com quem está tocando a construção.
Um roteiro de inspeção para fazer em 15 minutos
Agora, a parte prática. Se você quer saber se tem cupim em casa, não precisa esperar a próxima revoada. Separe uma lanterna, uma chave de fenda e 15 minutos. Em seguida, siga este roteiro, que eu montei a partir dos sinais descritos nos estudos que li para este texto:
- Janelas e parapeitos: procure asinhas soltas e alados mortos, principalmente depois de noites quentes e úmidas.
- Rodapés e batentes: bata com o cabo da chave de fenda. Se o som for oco ou a madeira afundar, investigue.
- Chão embaixo de móveis e portas: procure montinhos de grânulos marrons, a assinatura do cupim de madeira seca.
- Paredes e cantos escuros: com a lanterna, procure túneis de terra subindo do piso, sobretudo atrás de armários.
- Armários embutidos e forro: observe manchas, madeira esfarelando e pozinho acumulado nos cantos.
- Quintal: confira tocos, lenha, deck e a base das árvores, procurando túneis e madeira oca.
Se você encontrou algum sinal, não entre em pânico, mas também não adie. Tire fotos, anote os lugares e, se o ataque envolver a estrutura, peça pelo menos dois orçamentos. Assim, você chega à conversa com a empresa sabendo do que está falando, o que costuma render um serviço melhor e um preço mais justo.
Perguntas rápidas que sempre aparecem
Aleluia em casa quer dizer que tenho cupim?
Não necessariamente. Os alados voam em direção à luz e podem ter vindo de uma colônia no terreno vizinho ou numa árvore da rua. Porém, se as asas aparecem dentro de armários, em cômodos fechados ou se repetem ano após ano no mesmo canto, a chance de existir uma colônia dentro de casa é bem maior. Nesse caso, faça o roteiro de inspeção.
Cupim ataca plantas vivas no vaso?
O mais comum é o cupim procurar madeira morta e restos vegetais, e não plantas jovens e saudáveis. Em árvores, como vimos, ele pode entrar pelo cerne. Em vasos, o mais frequente é encontrar cupim em pedaços de madeira, cascas ou tocos misturados ao substrato. Por isso, ao montar um vaso, evite enterrar restos de madeira junto com a terra. E, se você notar outros bichinhos nas suas plantas, o guia sobre pulgões ajuda a identificar as pragas mais comuns.
Depois do tratamento, o cupim pode voltar?
Pode, e os próprios pesquisadores reconhecem isso. Como lembra o estudo dos móveis históricos, o tratamento não garante a erradicação definitiva, e as inspeções periódicas fazem parte do controle. Por isso a garantia por escrito é tão importante: ela define por quanto tempo a empresa volta para resolver sem custo extra.
Minhas fichas de leitura: o que cada estudo me ensinou sobre cupim
Para escrever este guia, eu não quis me apoiar em receitas de internet. Então fui atrás de pesquisas brasileiras e da norma que regula as empresas de controle de pragas. Em vez de só listar as fontes, deixo aqui o que eu tirei de cada uma, para você saber exatamente de onde veio cada afirmação. Onde o texto traz uma dica prática minha, como o teste do papel branco embaixo do móvel, eu deixei isso claro.
- Sobre as castas e a revoada: o material sobre cupins subterrâneos da Infoteca Embrapa explica quem são as aleluias e o que acontece depois do voo.
- Sobre quantas espécies existem: Santos, Godoy e Costa (2022), na Biota Amazônia, trazem as 349 espécies brasileiras e os cerca de 10% que causam dano.
- Sobre os cupins das casas: Eleotério e Berti Filho (2000), na Ciência Florestal, mostram as espécies mais encontradas em imóveis de Piracicaba.
- Sobre o cupim de madeira seca: Laffont e Berti Filho (2000), na Scientia Agricola, descrevem os grânulos, os furos e o tratamento dos móveis do museu.
- Sobre a origem do cupim subterrâneo: Lopes e colaboradores (2011), nos Arquivos do Instituto Biológico, registram a chegada do Coptotermes gestroi em 1923.
- Sobre barreira química e iscas: a apresentação do IPT sobre um edifício tombado em São Paulo compara as duas tecnologias.
- Sobre as empresas de controle de pragas: a RDC nº 52/2009 da Anvisa lista o que a empresa precisa ter e entregar ao cliente.





