O manacá-da-serra tem três cores e um só recado. Aprenda a ler e a fazer o seu florir

Manacá-da-serra todo florido num gramado urbano

Para começar, repare no próximo manacá-da-serra florido que cruzar o seu caminho. No mesmo galho, a poucos centímetros de distância, há flores brancas, flores cor-de-rosa e flores roxas. Afinal, muita gente jura que são duas ou três árvores plantadas juntinhas, ou então que alguém fez um enxerto caprichado. Mas não. Trata-se de uma árvore só, e aquelas cores não estão ali por enfeite.

Na verdade, cada cor é um recado. E esse recado não foi escrito para nós, e sim para as abelhas. Quem aprende a ler essa mensagem descobre, de quebra, por que alguns manacás ficam cobertos de flor enquanto outros passam o verão com meia dúzia de botões tímidos.

Por isso, este texto vai em duas partes que se encaixam. Primeiro, o segredo das três cores, contado por quem estudou o assunto de perto. Depois, tudo o que esse segredo ensina sobre onde plantar, como podar, como fazer florir e até como clonar aquele manacá lindo da casa do vizinho. Vamos lá?

Manacá-da-serra todo florido num gramado urbano
Um manacá-da-serra no auge da florada parece ter sido pintado com três tintas diferentes. Foto: Mauroguanandi – Wikimedia Commons (domínio público).

Três cores, um recado só

A flor do manacá-da-serra nasce branca. Com o passar dos dias, ela fica rosada e, por fim, roxa. É por isso que a espécie ganhou o nome científico de mutabile, que quer dizer, literalmente, mutável. Até aí, a curiosidade é bonita. O pulo do gato, porém, está no motivo da mudança.

Um estudo publicado em 2011 na revista científica Flora, por pesquisadores brasileiros com Pereira como primeiro autor, acompanhou duas espécies parentes do manacá, também do gênero Tibouchina e também nativas da Mata Atlântica. Assim, o que eles viram foi o seguinte: as flores duram três dias ou mais, são brancas no primeiro dia e ficam rosadas nos dias seguintes. Além disso, a chegada de pólen ao estigma, ou seja, a polinização, acelera essa troca de cor.

Agora, vem o detalhe que fecha a história. Essas flores não oferecem néctar. Em vez disso, elas pagam as abelhas com pólen, que fica guardado dentro das anteras como sal num saleiro. Então, para tirá-lo de lá, a abelha agarra a flor e vibra o corpo, numa técnica chamada polinização por vibração. Segundo o mesmo estudo, a flor recém-aberta tem pólen para oferecer, enquanto a flor que já mudou de cor praticamente não tem mais nada. E as abelhas, espertas, evitam as flores envelhecidas.

Pequena abelha verde visitando uma flor branca recém-aberta
No primeiro dia, a flor branca é um “pode entrar”: é ali que a abelha encontra pólen. Foto: EvaldoResende – Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Um restaurante com placa na porta

Em outras palavras, o manacá funciona como um restaurante com placas na porta. Branco significa “aberto, pode entrar”. Rosa e roxo significam “já servi, procure a mesa ao lado”. Assim, a abelha não perde tempo com flor vazia, e a árvore garante que cada visita vá para quem ainda precisa ser polinizada.

Mas por que a árvore não derruba logo as flores velhas, já que elas não servem mais para a abelha? Os pesquisadores não cravam uma resposta única. Mesmo assim, uma ideia bastante discutida para plantas que mudam de cor é que a copa cheia de flores, mesmo as velhas, funciona como um outdoor visível de longe. A abelha chega atraída pelo conjunto e, de perto, escolhe as brancas. Além disso, o estudo mostrou que cor e perfume trabalham juntos para guiar os insetos.

Uma flor branca e uma flor roxa lado a lado no mesmo ramo
Flor branca e flor roxa lado a lado: uma acabou de abrir, a outra já recebeu visita. Foto: Tiago Lubiana – Wikimedia Commons (CC0).

O que esse segredo ensina a quem cultiva um manacá-da-serra

Tudo bem, a história é linda, sem dúvida. Mas o que ela muda no seu jardim? Muita coisa, na verdade. Quando você entende que a florada é uma conversa entre a árvore e os polinizadores, três cuidados passam a fazer sentido imediato.

  • Sol é o combustível da conversa. Uma árvore que produz flores sem parar precisa de muita energia. Por isso, o manacá-da-serra floresce muito mais em sol pleno do que à meia-sombra.
  • Inseticida na florada é tiro no pé. Se as abelhas somem, a árvore continua florindo, mas perde a parceria que dá sentido a tudo. Portanto, se precisar tratar alguma praga, faça fora da florada e de forma localizada.
  • Mais flores brancas é sinal de saúde. Uma copa que renova botões o tempo todo mostra uma planta bem nutrida e bem iluminada. Em contrapartida, um manacá só com flores roxas e poucos botões novos está, em geral, no fim da florada ou passando aperto.

A árvore que trabalha de parteira na Mata Atlântica

Antes de virar estrela de jardim, o manacá-da-serra tem um emprego sério na natureza. Ele é nativo da Mata Atlântica, sobretudo das encostas úmidas da Serra do Mar, em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Lá, é uma espécie pioneira, isto é, uma das primeiras a ocupar áreas abertas, como clareiras e terrenos que foram desmatados.

Para começar, suas sementes são minúsculas e voam com o vento. Quando caem em solo descoberto, germinam em cerca de dez a vinte dias. Em seguida, a árvore cresce rápido, faz sombra, protege o chão e prepara o terreno para espécies mais lentas e longevas. Por isso, há quem chame o manacá de “incubadora da floresta”. É como aquele amigo que chega primeiro na festa, arruma as cadeiras, liga o som e, quando a casa enche, sai de fininho.

É justamente por isso que, no verão, as encostas da Serra do Mar ficam salpicadas de manchas brancas, rosas e roxas. Ou seja, quem desce a serra entre novembro e fevereiro vê o espetáculo inteiro da janela do carro.

Flores brancas, rosas e roxas abertas ao mesmo tempo no mesmo arbusto
Na mata ou no jardim, o mesmo arbusto exibe as três fases da flor ao mesmo tempo. Foto: Mauroguanandi – Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

Cuidado com o xará: o manacá-de-cheiro

Antes de comprar a muda, um alerta que evita muita confusão no viveiro. Isso porque existe outra planta chamada simplesmente de manacá, ou manacá-de-cheiro. Ela é um arbusto do gênero Brunfelsia, da família das solanáceas, a mesma do tomate e da batata. E, por ironia, ela também muda de cor. Só que ao contrário: as flores abrem roxas e vão clareando até ficarem brancas.

No entanto, a diferença não é só estética. As plantas do gênero Brunfelsia contêm alcaloides tóxicos para cães, gatos e cavalos. Portanto, se você tem pet curioso em casa, confira o nome científico na etiqueta. O manacá-da-serra é Pleroma mutabile, nome atual do antigo Tibouchina mutabilis. Já o manacá-de-cheiro é Brunfelsia. Parecem primos, mas não são nem da mesma família.

Manacá-da-serraManacá-de-cheiro
Nome científicoPleroma mutabileBrunfelsia spp.
PorteÁrvore pequena; versão anã até cerca de 3 mArbusto
Sequência das coresBranco, depois rosa, depois roxoRoxo, depois lilás, depois branco
PerfumeDiscretoForte, sobretudo à noite
PetsSem alerta de toxicidade nas fontes consultadasTóxico para cães, gatos e cavalos

Onde plantar o manacá-da-serra sem se arrepender depois

Em primeiro lugar, escolher o lugar certo é metade do sucesso. Afinal, árvore não é sofá que a gente muda de canto no domingo. Por isso, antes de abrir a cova, decida qual dos dois manacás combina com o seu espaço.

Manacá-da-serra comumManacá-da-serra anão
Altura em jardinsEm geral de 4 a 6 m; na mata, até 12 mAté cerca de 3 m
Onde fica bemJardins, praças, quintais amplosJardins pequenos, frentes de casa, vasos grandes, cercas vivas
Florada principalVerão, de novembro a fevereiroCostuma florir também fora do verão, muitas vezes no inverno
Como é multiplicadoSementes ou estacasSó por estacas ou alporquia, para manter o porte

Uma boa notícia para quem mora na cidade: o manacá-da-serra é bastante indicado para áreas urbanas, justamente porque suas raízes não são agressivas e o porte é moderado. Mesmo assim, verifique a fiação acima da calçada antes de plantar a versão comum. Se quiser comparar com outras espécies, vale ler o guia de árvores para calçada e a lista de árvores de raiz agressiva, que mostra quais evitar perto de muros e canos.

Já para quem tem varanda ou quintal pequeno, o anão é a escolha natural. Em vaso, prefira um recipiente bem grande, de pelo menos 50 litros, com furos no fundo. Afinal, quanto maior o volume de terra, mais estável fica a umidade e menos sustos você leva no verão.

Cacho de flores em três tons junto ao tronco de um manacá
Mesmo de perto, as três cores convivem no mesmo cacho. Foto: Mauroguanandi – Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

Como plantar o manacá-da-serra, passo a passo

Antes de mais nada, a época. O melhor momento costuma ser o começo da estação das chuvas na sua região, quando a muda terá terra úmida por várias semanas seguidas. Se quiser entender o porquê disso, o artigo sobre a melhor época para plantar explica a lógica da raiz nova, que vale também para árvores ornamentais.

  1. Escolha um ponto com sol pleno, de preferência com pelo menos meio dia de sol direto.
  2. Abra uma cova generosa, bem mais larga que o torrão, e misture à terra retirada composto orgânico ou esterco bem curtido.
  3. Garanta a drenagem. O manacá gosta de solo úmido, mas detesta encharcado. Em terreno argiloso, acrescente areia grossa e matéria orgânica; em vaso, use uma camada de drenagem e um bom substrato. O guia de substrato ajuda a acertar a mistura.
  4. Plante na mesma altura em que a muda estava no saquinho, sem enterrar o colo.
  5. Regue bem logo em seguida, até a terra assentar em volta do torrão.
  6. Cubra o solo com casca de pinus, folhas secas ou palha. Dessa forma, a umidade dura mais e o mato não compete com a muda.
  7. Use um tutor nos primeiros meses, sobretudo em lugares com vento, porque o manacá jovem tem galhos finos e quebra com facilidade.

O que faz um manacá-da-serra florir de verdade

Agora, a pergunta que mais aparece nas buscas: “meu manacá não floresce, o que eu faço?”. Na maioria das vezes, a resposta está em um destes quatro pontos.

Sol, sol e mais sol

Como vimos lá em cima, afinal, florir sem parar custa caro para a planta. Em meia-sombra, ela até cresce bonita, mas floresce bem menos. Portanto, se o seu manacá está à sombra de um muro ou de uma árvore maior, esse provavelmente é o principal culpado.

Solo levemente ácido e bem drenado

O manacá vem de encostas úmidas, com solo rico em matéria orgânica e de reação ácida. Guias de cultivo indicam pH entre 5,5 e 6,8. Em solo alcalino, ou cheio de entulho de obra com cal e cimento, as folhas tendem a amarelar e a florada encolhe. Além disso, extensionistas da Universidade da Flórida, ao descrever um parente próximo do manacá, alertam que solo encharcado favorece podridão nas raízes.

Adubo na hora certa

Em geral, uma adubação equilibrada duas vezes por ano costuma bastar. Na prática, muita gente usa uma formulação com mais fósforo, como 4-14-8, no fim do inverno e de novo depois da florada. Mesmo assim, exagerar no adubo não acelera nada. Pelo contrário, excesso de nitrogênio faz a planta soltar folha em vez de flor.

A poda que dá flor

A poda deve ser feita logo depois da florada, e não antes. Isso porque, se você cortar os galhos no fim do inverno, pode estar removendo justamente as pontas que dariam flores no verão. Remova galhos secos, cruzados ou muito compridos e, sobretudo, desponte as pontas para estimular brotos laterais. Em parentes do manacá, extensionistas da Flórida observam que beliscar as brotações novas incentiva ramificação e floração.

Mãos podando galhos com uma tesoura de poda no jardim
Uma boa tesoura de poda, limpa e afiada, faz cortes que cicatrizam rápido. Foto: Kampus Production – Pexels.

Clone o manacá-da-serra mais bonito da rua

Aqui está talvez a lição mais valiosa deste guia. Por exemplo, sabe aquele manacá do vizinho que floresce mais que todos os outros do bairro? Você pode ter uma cópia idêntica dele. Basta pedir licença e alguns galhos. Isso porque a estaca gera uma planta geneticamente igual à mãe, com a mesma cor, o mesmo porte e o mesmo vigor de florada.

Aliás, é exatamente assim que o manacá-da-serra anão é mantido: por via vegetativa, já que plantas vindas de semente podem perder o porte compacto. Além disso, segundo guias de cultivo, mudas de estaca costumam florir em um a dois anos, bem antes das que nascem de semente.

  1. Escolha galhos semi-lenhosos, nem verdinhos e moles, nem grossos e marrons. O ideal é algo como um lápis.
  2. Corte pedaços de 15 a 20 cm, logo abaixo de um nó, com a tesoura limpa.
  3. Retire as folhas de baixo e corte as de cima pela metade. Assim, a estaca perde menos água enquanto ainda não tem raiz.
  4. Se quiser, use enraizador na base. Não é obrigatório, mas ajuda.
  5. Enterre um terço da estaca em substrato leve e úmido, como uma mistura de areia e substrato comercial.
  6. Deixe à meia-sombra, protegida do vento, e mantenha a terra úmida, sem encharcar.
  7. Tenha paciência. Em geral, as raízes aparecem em 30 a 60 dias. Quando surgirem brotos novos e firmes, é sinal de que deu certo.

Se preferir um método com mais chance de sucesso, existe a alporquia: você provoca raízes num galho ainda preso à árvore, envolvendo-o com terra úmida e plástico. Segundo os mesmos guias, leva de seis a oito semanas. Em resumo, é mais trabalhoso, porém quase não falha.

Quando o manacá-da-serra reclama

Felizmente, o manacá é uma planta resistente. Ainda assim, ele dá sinais claros quando algo não vai bem, e quase sempre o problema tem conserto.

SinalCausa provávelO que fazer
Folhas amareladas com nervuras verdesSolo alcalino ou pobreAcrescente matéria orgânica e evite cal e entulho perto da raiz
Folhas murchas com terra molhadaEncharcamentoMelhore a drenagem e espace as regas
Muita folha e pouca florPouco sol ou excesso de nitrogênioMude de lugar, se for vaso, e troque o adubo
Galhos quebradosVento forteUse tutor e proteja a muda jovem
Folhas queimadas no invernoGeadaProteja com manta ou tecido nas noites frias
Insetos nas brotaçõesPulgões ou cochonilhasRetire manualmente ou trate fora da florada

Se a praga for pulgão, o guia sobre pulgões mostra como identificar e controlar sem prejudicar as abelhas que o manacá tanto valoriza.

Flor roxa de manacá-da-serra segurada na palma da mão
A flor do manacá-da-serra cabe na palma da mão, mas a árvore pode passar dos telhados. Foto: Érica Araújo Mendes – Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

O ano do manacá, mês a mês

PeríodoO que aconteceO que você faz
Setembro e outubroBrotação e formação de botõesAdube e mantenha a rega regular
Novembro a fevereiroFlorada principal do manacá comumAprecie, não use inseticida e regue nos dias secos
Março e abrilFim da florada e frutificaçãoFaça a poda de formação e limpeza
Maio a agostoCrescimento mais lento; o anão pode florirProteja do frio forte e reduza a rega no inverno seco

O que comprar para plantar e cuidar

Antes de sair para a loja de jardinagem, anote esta lista. Nada aqui é caro e, na maioria dos casos, tudo dura vários anos.

  • Muda de viveiro confiável, com o nome científico na etiqueta.
  • Composto orgânico ou esterco curtido para enriquecer a cova.
  • Substrato de boa qualidade, se for plantar em vaso.
  • Vaso grande, de 50 litros ou mais, para o manacá anão.
  • Adubo granulado do tipo NPK com mais fósforo, como o 4-14-8.
  • Casca de pinus ou palha para cobrir o solo.
  • Tesoura de poda bem afiada.
  • Enraizador e saquinhos de muda, se quiser fazer estacas.
  • Estaca de bambu e fita para tutorar a muda jovem.

Perguntas rápidas sobre o manacá-da-serra

O manacá-da-serra suja muito o chão?

Bem, solta flores e folhas, como qualquer árvore. No entanto, as flores são leves e se decompõem rápido. Em resumo, nada parecido com árvores de frutos grandes.

Dá para plantar em vaso?

Sim, de preferência a versão anã, em vaso grande e bem drenado, com sol pleno. A versão comum também vive em vaso por um tempo, mas cresce demais.

Em quanto tempo floresce?

Mudas feitas de estaca costumam florir em um a dois anos. Já as de semente demoram mais. Por isso, sempre que possível, prefira mudas enxertadas ou de estaca.

Manacá-da-serra e quaresmeira são a mesma coisa?

Não. Embora sejam parentes do mesmo grupo e tenham flores roxas, a quaresmeira não faz o show das três cores. Além disso, ela costuma florir no começo do ano, perto da Quaresma, daí o nome.

A árvore que ensina a prestar atenção

No fim das contas, o manacá-da-serra é uma aula de botânica plantada na calçada. Ele mostra que flor não é enfeite, e sim comunicação. Do mesmo modo, mostra que cuidar bem de uma planta é, antes de tudo, entender o que ela está tentando fazer, e então ajudar.

Então, da próxima vez que passar por um manacá florido, pare um minuto e procure as flores brancas. É ali que as abelhas estão trabalhando. E se bater vontade de ter um igual, você já sabe: sol pleno, solo ácido e bem drenado, poda depois da florada e, se possível, uma estaca do manacá mais bonito da rua. Para continuar no clima de árvores que colorem a cidade, leia também sobre o flamboyant e conheça as árvores mais indicadas para espaços urbanos.


Como este guia foi feito

Este artigo foi escrito pela equipe do Cayana a partir de um estudo científico sobre a mudança de cor das flores em espécies de Tibouchina, de fichas técnicas de extensão universitária e de guias de cultivo especializados. Quando uma informação vem de uma espécie parente, e não do próprio manacá, isso está dito no texto. Não usamos depoimentos inventados. As fotos do manacá vêm do acervo livre da Wikimedia Commons, com autoria e licença indicadas em cada legenda.

Fontes consultadas

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